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O que você comeu no café da manhã hoje? Talvez uma fatia de pão, ovos mexidos e um copo de suco de laranja.
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Provavelmente, desde sempre, são esses alimentos — com pequenas variações — que você associa à primeira refeição do dia.
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E não só você. Milhões de mesas ao redor do mundo repetem esse mesmo ritual diariamente, de São Paulo a Buenos Aires, de Londres a Joanesburgo.
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O que quase ninguém percebe é que esse cardápio não surgiu de forma espontânea. Ele foi desenhado, promovido e exportado pelos Estados Unidos ao longo do século 20, junto com uma ideia específica de saúde, nutrição e estilo de vida.
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Agora, décadas depois, o próprio país que ensinou o mundo a comer deu um passo para trás: o governo americano admitiu que a base da sua pirâmide alimentar estava errada.
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As novas diretrizes
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As Dietary Guidelines for Americans 2025–2030 marcam uma inflexão histórica. Impulsionadas pelo movimento Make America Healthy Again (MAHA) e pela nova liderança do Departamento de Saúde, as diretrizes abandonam conceitos que foram tratados como dogmas desde os anos 1980, especialmente a obsessão por dietas low-fat e o protagonismo de carboidratos refinados.
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A mensagem agora é direta e simples: coma comida de verdade.
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Sai o foco obsessivo em reduzir gordura. Entra a ênfase em proteína adequada, fibras, alimentos minimamente processados e densidade nutricional.
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Carnes, ovos, peixes, laticínios e leguminosas voltam ao centro do prato — não como vilões, mas como aliados da saciedade, da saúde metabólica e da preservação muscular.
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Não é coincidência. Segundo o U.S. News & World Report, 69% dos especialistas em saúde apontam padrões alimentares baseados em alimentos integrais — como a dieta mediterrânea — como os mais eficazes para prevenir doenças crônicas em 2026.
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Além das diretrizes…
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Somado a mudança, você deve se deparar com outro fenômeno nas prateleiras: o mundo ficou obcecado por proteínas.
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O que antes era restrito ao público das academias, agora está em todo lugar: de cereais matinais e sorvetes a águas fortificadas.
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Com o aumento anual do consumo nos EUA, o mercado de alimentos fortificados com proteína deve ultrapassar os US$ 100 bilhões até 2030 — sim, você leu certo.
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(Imagem: Self)
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No entanto, especialistas pedem cautela. Embora as novas diretrizes recomendem um aumento na ingestão (subindo de 0,8g para até 1,6g por quilo de peso corporal), nem toda proteína "de prateleira" é igual.
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Muitas vezes, o selo "high protein" serve apenas como um "escudo de saúde" para esconder produtos que continuam ultraprocessados e carregados de aditivos.
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É justamente para combater esse descompasso entre o marketing da indústria e a saúde real que o cenário político entrou em campo.
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O movimento maior: ‘‘Make America Healthy Again’’
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Essa mudança nas regras do jogo surge sob a bandeira do movimento MAHA (Make America Healthy Again). O contexto é de urgência: custos de saúde fora de controle e uma população em que 76% dos adultos convivem com pelo menos uma condição crônica, segundo dados recentes dos EUA.
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Só que o impacto vai além do prato… Quando os americanos mudam, a indústria global reage. É um efeito dominó que atravessa fronteiras:
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Há também um símbolo curioso dessa influência cultural: o famoso bacon com ovos no café da manhã. A combinação, hoje vista como “tradicional”, foi resultado direto de campanhas da indústria nos anos 1920, que associaram proteína animal à força, produtividade e masculinidade.
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Agora, quase um século depois, a ciência volta a defender a importância da proteína — mas sem o marketing.
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E o Brasil, nessa história?
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Enquanto os EUA revisam suas diretrizes, o Brasil ocupa uma posição técnica de vanguarda, mas enfrenta desafios práticos semelhantes.
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O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado em 2014, já é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos mais avançados do mundo.
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Diferente do modelo americano antigo, focado em nutrientes isolados (gorduras vs. carboidratos), o guia brasileiro introduziu a Classificação NOVA, que separa os alimentos pelo nível de processamento.
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Embora o guia brasileiro tenha se tornado uma referência internacional, sua implementação no mercado interno é marcada por um intenso debate entre órgãos de saúde e a indústria de alimentos, que questiona o rigor da classificação de ultraprocessados.
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A mudança de postura em Washington, portanto, sinaliza um alinhamento global de diretrizes. O que antes era um ponto de divergência entre o modelo brasileiro e o americano agora caminha para um consenso institucional sobre a necessidade de priorizar alimentos in natura.
fonte: the news
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