O Grupo Pão de Açúcar e a Raízen, duas das maiores empresas do país, tiveram uma terça-feira nada agradável. Ambas estavam há algum tempo em situações complicadas, e, ontem, oficializaram seus pedidos de recuperação extrajudicial.
Diferente da judicial, a recuperação extrajudicial acontece quando a companhia já chega ao tribunal com um acordo prévio costurado com seus principais credores.
Na prática, as empresas sentaram com os "donos da dívida" — bancos e investidores que emprestaram dinheiro — e disseram: "Olha, eu não consigo pagar tudo que eu devo agora, mas se vocês me derem mais alguns anos e baixarem os juros, eu garanto o pagamento e continuo operando".
Só para ter ideia, o GPA queima caixa há mais de quatro anos. Em 2025, o fluxo de caixa livre operacional somou R$ 669 milhões, insuficiente para pagar o custo da dívida, de R$ 920 milhões.
Para tentar tapar o buraco e ajudar na saúde financeira, os sócios estão costurando uma capitalização de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bi da Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto, dono da Cosan.
No entanto, o próprio presidente da Cosan já avisou que os R$ 4 bi não serão suficientes. A expectativa é que a Raízen continue se desfazendo de ativos.