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A era dos megaeventos no Brasil
Por Administrador
Publicado em 22/03/2026 14:58
Geral

 

(Imagem: Fábio Tito/g1)

Já se tornou normal a cada mês um anúncio de show novo por aqui. Além de tantos artistas que temos em casa, o Brasil se tornou um destino desejável para artistas internacionais, em um cenário de demanda que atende todos nichos.

Se antes vir ao país era visto como algo pontual ou até mesmo ‘’fim de turnê’’, hoje opera sob um bussiness milionário.

O mapa das turnês agora deixa de olhar para o Brasil como uma alternativa restante e passa a enxergar como parada obrigatória na rota dos artistas.

(Imagem: Taba Benedicto/ Estadão)

O custo vs a experiência

Para entender como o país chegou ao topo das rotas internacionais, é preciso olhar para a profissionalização do setor de serviços. O interesse das agências globais em solo brasileiro escalou por três pilares estratégicos:

(i) O streaming. Quando artistas atingem o topo das paradas globais, São Paulo e Rio de Janeiro aparecem sistematicamente entre as cinco cidades que mais consomem esses artistas no mundo.

(ii) Estádios e arenas multiuso — expandidas justamente pensando em shows e eventos — permitiram que o país se tornasse um ‘’polo’’ na América Latina, antes perdendo para Argentina, Colômbia, Chile…O sucesso financeiro de uma turnê no continente hoje é calculado a partir das datas brasileiras. Se o show aqui esgota, a logística para países vizinhos se torna viável.

(Imagem: Adam Bettcher / Getty Images)

(iii) Lembra quando falamos sobre as treatconomics? A lógica por aqui funciona igual. Em um cenário onde a economia oscila e é incerta, o consumidor prioriza a ‘’experiência’’, em detrimento de bens mais caros. É o que explica ingressos de ticket médio elevado esgotarem em minutos para nichos tão distintos.

Essa capacidade de abraçar tribos tão diferentes — de K-pop ao reggaeton e ao rock clássico — é o que sustenta a confiança das grandes agências. Luis Justo, CEO da Rock World, responsável pelos grandes festivais do BR, conversou com a nossa equipe e reforçou que o país tem um hábito de consumo "transgeracional".

(Imagem: Francisco Costa | Divulgação)

"De um AC/DC a um BTS, você tem público consumidor para música ao vivo de todos os tipos. O Brasil é, por essência, muito diverso e isso se reflete nos gostos musicais. Além disso, o brasileiro, independente da idade, gosta do entretenimento ao vivo", explicou Justo.

Para o executivo, o país deixou de ser uma "alternativa" para se tornar um porto seguro por uma mistura de fatores que vão do clima à infraestrutura. "O despertar comercial, o tamanho do mercado consumidor e o surgimento de novos vênios e estádios construídos na Copa trouxeram novas possibilidades".

Ele ainda destacou o fator estratégico do calendário: enquanto o Hemisfério Norte enfrenta o inverno, o verão brasileiro permite que os artistas mantenham turnês outdoor ativas o ano todo.

E o engajamento? Justo confirma que o famoso "Please Come to Brazil" nos comentários do Instagram se tornou um dado estratégico. Os artistas monitoram essa atividade "incomum" dos brasileiros e usam isso como critério de desempate na hora de fechar a rota.

Para as grandes agências, funciona como um termômetro: o volume de interações indica não apenas popularidade, mas potencial de conversão em bilheteria.

Além do engajamento, há uma questão estratégica sobre como esses shows se distribuem no calendário. Apesar de um número alto de shows ‘‘solo’’, os festivais ainda não perderam o público.

Pelo contrário, o mercado observa justamente um fenômeno de retroalimentação. O festival funciona como uma vitrine de descoberta e uma plataforma de validação de marca para o artista.

Para o CEO da Rock World, essa relação é de reforço mútuo: o festival entrega a experiência da descoberta — onde o público vai por um nome e sai fã de outros dez — enquanto a turnê de estádio entrega a profundidade para o fã já convertido.

O exemplo que talvez esteja mais fresco na sua mente é o do Bruno Mars — citado por Justo, inclusive — a exposição das apresentações em festivais não saturaram a imagem, mas sim elevaram a relevância dele a um patamar que permitiu que no ano seguinte, em 2024, fizesse uma passagem de mais de 7 shows pelo país.

 

"A exposição do festival ajuda a relevância da turnê e vice-versa. Tem espaço e mercado para todos eles", afirma Justo.

Essa sinergia entre grandes turnês e festivais criou um ciclo virtuoso: o artista quer vir, o patrocinador quer investir e o público está disposto a pagar.

O desafio agora, para os próximos anos, é transformar o sucesso de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro em um modelo replicável para outras capitais, descentralizando a rota obrigatória e garantindo um maior fluxo.

fonte: the news

 

 



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