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O mapa das turnês agora deixa de olhar para o Brasil como uma alternativa restante e passa a enxergar como parada obrigatória na rota dos artistas.
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(Imagem: Taba Benedicto/ Estadão)
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O custo vs a experiência
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Para entender como o país chegou ao topo das rotas internacionais, é preciso olhar para a profissionalização do setor de serviços. O interesse das agências globais em solo brasileiro escalou por três pilares estratégicos:
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(i) O streaming. Quando artistas atingem o topo das paradas globais, São Paulo e Rio de Janeiro aparecem sistematicamente entre as cinco cidades que mais consomem esses artistas no mundo.
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(ii) Estádios e arenas multiuso — expandidas justamente pensando em shows e eventos — permitiram que o país se tornasse um ‘’polo’’ na América Latina, antes perdendo para Argentina, Colômbia, Chile…O sucesso financeiro de uma turnê no continente hoje é calculado a partir das datas brasileiras. Se o show aqui esgota, a logística para países vizinhos se torna viável.
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(Imagem: Adam Bettcher / Getty Images)
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(iii) Lembra quando falamos sobre as treatconomics? A lógica por aqui funciona igual. Em um cenário onde a economia oscila e é incerta, o consumidor prioriza a ‘’experiência’’, em detrimento de bens mais caros. É o que explica ingressos de ticket médio elevado esgotarem em minutos para nichos tão distintos.
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Essa capacidade de abraçar tribos tão diferentes — de K-pop ao reggaeton e ao rock clássico — é o que sustenta a confiança das grandes agências. Luis Justo, CEO da Rock World, responsável pelos grandes festivais do BR, conversou com a nossa equipe e reforçou que o país tem um hábito de consumo "transgeracional".
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(Imagem: Francisco Costa | Divulgação)
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"De um AC/DC a um BTS, você tem público consumidor para música ao vivo de todos os tipos. O Brasil é, por essência, muito diverso e isso se reflete nos gostos musicais. Além disso, o brasileiro, independente da idade, gosta do entretenimento ao vivo", explicou Justo.
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Para o executivo, o país deixou de ser uma "alternativa" para se tornar um porto seguro por uma mistura de fatores que vão do clima à infraestrutura. "O despertar comercial, o tamanho do mercado consumidor e o surgimento de novos vênios e estádios construídos na Copa trouxeram novas possibilidades".
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Ele ainda destacou o fator estratégico do calendário: enquanto o Hemisfério Norte enfrenta o inverno, o verão brasileiro permite que os artistas mantenham turnês outdoor ativas o ano todo.
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E o engajamento? Justo confirma que o famoso "Please Come to Brazil" nos comentários do Instagram se tornou um dado estratégico. Os artistas monitoram essa atividade "incomum" dos brasileiros e usam isso como critério de desempate na hora de fechar a rota.
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Para as grandes agências, funciona como um termômetro: o volume de interações indica não apenas popularidade, mas potencial de conversão em bilheteria.
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Além do engajamento, há uma questão estratégica sobre como esses shows se distribuem no calendário. Apesar de um número alto de shows ‘‘solo’’, os festivais ainda não perderam o público.
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Pelo contrário, o mercado observa justamente um fenômeno de retroalimentação. O festival funciona como uma vitrine de descoberta e uma plataforma de validação de marca para o artista.
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Para o CEO da Rock World, essa relação é de reforço mútuo: o festival entrega a experiência da descoberta — onde o público vai por um nome e sai fã de outros dez — enquanto a turnê de estádio entrega a profundidade para o fã já convertido.
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O exemplo que talvez esteja mais fresco na sua mente é o do Bruno Mars — citado por Justo, inclusive — a exposição das apresentações em festivais não saturaram a imagem, mas sim elevaram a relevância dele a um patamar que permitiu que no ano seguinte, em 2024, fizesse uma passagem de mais de 7 shows pelo país.
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"A exposição do festival ajuda a relevância da turnê e vice-versa. Tem espaço e mercado para todos eles", afirma Justo.
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Essa sinergia entre grandes turnês e festivais criou um ciclo virtuoso: o artista quer vir, o patrocinador quer investir e o público está disposto a pagar.
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O desafio agora, para os próximos anos, é transformar o sucesso de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro em um modelo replicável para outras capitais, descentralizando a rota obrigatória e garantindo um maior fluxo.
fonte: the news
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