A CPI do Crime Organizado encerrou seus trabalhos ontem aumentando ainda mais a tensão entre o Legislativo e o Judiciário.
Contexto: Criada em novembro/2025 para investigar falhas no combate ao crime organizado, a comissão acabou desviando o foco para o caso Master, levantando suspeitas sobre operações financeiras ligadas à ocultação de recursos de origem ilícita.
Por 6 votos a 4, o colegiado rejeitou o relatório final do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que pedia o indiciamento dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do PGR Paulo Gonet.
Vieira sustentava que as autoridades cometeram crimes de responsabilidade ao não se declararem suspeitos para julgar processos envolvendo o Banco Master devido a supostas relações de proximidade com Daniel Vorcaro.
Na prática, a aprovação do texto abriria caminho para pedidos de impeachment e representações criminais contra a cúpula do Judiciário.
A manobra do governo: A derrota do relator foi selada por uma articulação direta do Palácio do Planalto. Horas antes da votação, a composição da CPI foi alterada:
Membros da oposição, como Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), foram substituídos por senadores do PT.
A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) foi promovida a titular, garantindo o placar necessário para vetar o relatório.
No STF, o clima é de revanchismo
Ministros do Supremo classificaram o relatório como "abuso de autoridade" e "uso eleitoreiro" da CPI, além de criticarem o fato de nenhum membro de facção criminosa ter sido indiciado. Segundo Gilmar Mendes, o relator “se esqueceu de seus colegas milicianos”.
Caso o processo contra o senador avance, a Primeira Turma do STF deve discutir o caso — ou seja, a própria Corte julgaria a denúncia que partiu de integrantes dela mesma.