Essa foto é de Elon Musk durante um dos lançamentos de foguete da SpaceX. Mas poderia ser muito bem a foto dele neste exato momento, a cerca de 48h de realizar o maior IPO da história com a companhia.
Só que a papelada entregue aos reguladores revelou os bastidores. Aqui estão alguns pontos relevantes desse movimento:
1)O múltiplo da receita: Sob o ticker SPCX, a companhia planeja levantar US$ 75 bilhõesvendendo ações a um preço fixo de US$ 135 cada. O valuation final de US$ 1,77 trilhão faz a empresa estrear direto como a 9ª maior do planeta.
O detalhe é que ela vai ao mercado sendo negociada a quase 95x a sua receita anual — para ter uma ideia, a Nvidia roda a 21,3x suas vendas.
3) Mercado endereçável: O que justifica o preço do IPO não é o mercado espacial. A SpaceX declarou que 93% do seu mercado potencial está atrelado à AI (impressionantes US$ 26,5 trilhões). O plano é usar os satélites para criar data centers, construir uma fábrica de chips e cobrar um "pedágio" dos concorrentes.
A rival Anthropic, por exemplo, já fechou um contrato de US$ 45 bi para usar os servidores da SpaceX, tornando o conglomerado de Musk too big to fail.
4) O preço e a projeção do mercado. Analistas afirmam que o valor justo da SpaceX deveria ser de US$ 780 bi — menos da metade do preço de estreia —, alertando que o valuation atual é uma engenharia financeira inflacionada pelo hype. Sabendo do ceticismo dos grandes fundos, Musk contra-atacou reservando uma fatia gorda de até 30% das ações para investidores de varejo.
No fim do dia, a estreia da SpaceX vai ser o teste para medir o ânimo de Wall Street com as ofertas do mundo tech. O resultado desse IPO servirá de termômetro para as listagens que vêm logo na sequência — de OpenAI e Anthropic.