Em ano de eleição, o valor das emendas parlamentares pagas às prefeituras atingiu seu recorde. Até o início de julho, os municípios receberam 20% mais recursos do que no mesmo período das eleições de 2022.
O que está por trás? O Congresso determinou que parte das emendas fosse liberada antes do início das restrições eleitorais. Como a legislação limita esses pagamentos nos três meses pré-votação, houve uma concentração dos repasses no primeiro semestre.
Na prática, essas verbas reforçam a atuação dos parlamentares em suas bases eleitorais. Visando aumentar sua visibilidade às vésperas das eleições, os políticos concentram os valores em projetos de rápida execução e maior impacto local.
(Imagem: Folha | Reprodução)
O governo reservou R$ 37 bilhões em emendas neste ano. Desse total, R$ 34,2 bilhões já foram repassados às prefeituras, 92% do total prometido.
Para se ter uma ideia de como esse dinheiro foi usado:
A saúde concentrou cerca de 65% dos recursos pagos neste ano. Já as emendas Pix somam R$ 4,6 bilhões, com recursos destinados a shows, campos de futebol e tratores.
Além das prefeituras, as emendas também destinaram R$ 3,2 bilhões a estados e ao Distrito Federal e R$ 1,8 bilhão a instituições sem fins lucrativos, como ONGs.
Bottom-line: O crescimento não foi repentino. Em dez anos, o valor das emendas controladas pelo Congresso mais que quadruplicou, passando de R$ 11,8 bilhões, em 2016, para R$ 49,9 bilhões em 2026.