Encanadores, soldadores e eletricistas estão trocando a oficina pelas câmeras do celular para atrair jovens para essas carreiras. A tendência surge em meio à escassez dos chamados “profissionais de colarinho azul” no Brasil e nos EUA.
Para se ter uma ideia, o percentual de empresas brasileiras que dizem não encontrar mão de obra qualificada suficiente saltou de 34% em 2018 para 81% em 2026. Esse é o maior nível já registrado por aqui.
E a estratégia dos novos influencers está funcionando. O interesse por profissões manuais vem crescendo nos dois países:
No Brasil, as matrículas em cursos técnicos bateram recorde no último ano, totalizando +2 milhões de alunos;
Nos EUA, 2/3 dos jovens afirmam que as redes sociais aumentaram seu interesse pelos ofícios manuais.
Por que isso está acontecendo? Pense que com menos profissionais disponíveis para atender à demanda, o serviços ficam mais disputados e os salários tendem a subir — tornando essas carreiras mais atraentes.
Um reflexo disso foi a valorização de 8,8% na construção civil nos últimos 12 meses. Em março, a área passou a pagar o maior salário médio de admissão entre todos os setores da economia brasileira.
Ainda assim, o sucesso nas redes não resolve a conta. Formar um profissional qualificado leva anos, e a faculdade segue sendo a escolha preferida entre a maioria dos jovens. Nos EUA, 74% dos jovens de 18 a 20 anos ainda priorizam o ensino superior tradicional.