Foi-se o tempo em que as crianças russas se preocupavam apenas com as lições de matemática e com não ficar de recuperação para aproveitar as férias.
Lápis, borracha e pente estendido: Agora, elas também vão ter aulas sobre granadas, metralhadoras, primeiros socorros em combate e como sobreviver em um front durante uma guerra.
Isso porque a Rússia decidiu fazer a sua maior reformulação do currículo escolar desde a União Soviética, e a principal mudança foi justamente o treinamento militar obrigatório a partir dos 13 anos.
Por que isso importa? Claramente, o objetivo do governo Putin é formar uma nova geração de soldados enquanto o país vem sustentando a guerra na Ucrânia há quase cinco anos.
Pelo ritmo atual do conflito, a Rússia tem a necessidade de formar pelo menos 400 mil novos recrutas todos os anos para conseguir recompor as suas tropas.
Embora o Kremlin não divulgue os números oficiais, estimativas mostram que o país já perdeu mais de um milhão e meio de soldados — mortos ou feridos — desde o início da guerra com a Ucrânia.
Vai muito além dos fronts: As escolas também passaram a ser usadas para transmitir a visão do governo sobre patriotismo, história e os impasses com os ucranianos.
Para se ter uma ideia, até veteranos da guerra na Ucrânia estão sendo levados a escolas e creches para conversar com estudantes.
Não por acaso, o orçamento para "educação patriótica" bateu recorde este ano — 20x mais do que em 2021.
Também foram ampliadas competições militares juvenis que simulam situações de conflito com combates a laser e drones. Mais de 2 milhões de crianças devem participar neste ano. Clique para ver.
Eles já viram isso antes: A URSS também tinha treinamento militar nas escolas, mas a mensagem era a de evitar uma nova guerra — e não formar uma “linha de produção” de futuros soldados.