O ministro do STF André Mendonça pediu o afastamento do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Ele se baseou em relatórios divulgados pela corporação ao Moraes nos últimos dias.
Não lembra? A gente explica. Na semana passada, Moraes pediu acesso a relatórios de inteligência PF, quebrou o sigilo dos documentos e os utilizou como base para pedir uma investigação contra André Mendonça.
Dando um contra-golpe, a decisão de Mendonça para afastar o diretor-geral utilizou justamente esses documentos como justificativa. Entre os argumentos utilizados está o de que ele e o AGU, Jorge Messias, vinham sendo alvos de um “monitoramento sistemático” pela PF, o que seria ilegal.
André chegou a reproduzir um voto antigo de Moraes em outro caso para basear sua decisão, no qual dizia que “Não é permitido a nenhum órgão bisbilhotar, fichar ou estabelecer classificação de qualquer cidadão e enviá-los para outros órgãos”.
Após ter determinado o afastamento, Mendonça solicitou uma sessão da Segunda Turma para confirmar a medida. Apesar de Gilmar Mendes ter pedido mais tempo para análise, Kassio Nunes e Luiz Fux já formaram maioria para manter a decisão — que segue em vigor mesmo sem a votação ter sido finalizada.
Entre as justificativas, Gilmar citou pouco tempo para análise e afirmou que a decisão cabe ao plenário, e não à Segunda Turma. Ele ainda falou que o afastamento pode causar desequilíbrio nas eleições, lembrando que ele foi baseado em pedido do Partido Novo.
Em meio ao embate, o presidente da Corte, Edson Fachin, decidiu intervir. Ele deu 72 horas para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre um pedido da AGU para suspender os afastamentos. Depois da manifestação, o pedido volta à Presidência do STF para análise.