Além da crise econômica e social, existe um outro problema que afeta a ilha cubana: a saída da população. Um novo estudo da Council on Foreign Relations estimou que entre 1,6e 2,75 milhões de cubanos tenham deixado a ilha desde 2020 — uma queda de 13% a 25% da população total.
Para efeito de comparação, desde 2021, o êxodo já é estimado em três vezes o total combinado dos grandes movimentos migratórios registrados após a Revolução de 1959.
O que explica isso? A economia cubana apresenta dificuldades e problemas sociais há muitos anos. Ao mesmo tempo, uma série de choques recentes, como a pandemia, sanções americanas e o colapso da produção de petróleo venezuelano que abastecia a ilha, tornaram a situação ainda pior.
(Imagem: Council on Foreign Relations)
Em meio a esse cenário, a emigração ganhou força. Entre os países que mais receberam a população cubana estão Espanha, Nicarágua e Brasil.
Para se ter ideia, +600 mil cubanos solicitaram cidadania espanhola entre 2022 e 2025, com base em uma nova lei que reconhecia os descendentes de avós espanhóis. Já por aqui, os pedidos de asilo quase dobraram em 2024 — atingindo +44 mil.
Além dos problemas atuais, o futuro pode encontrar problemas. Estima-se que, entre os cubanos que emigraram de 2021 a 2024, 133 mulheres deixaram o país para cada 100 homens, sendo que 80% delas estavam em idade reprodutiva.
Agora, demógrafos preveem que a população de Cuba poderá diminuir pela metade até o ano de 2100. Enquanto isso, o próprio instituto de estatística do governo prevê que os cubanos com +60 anos representarão mais de um terço da população até 2050 — o que pode gerar problemas para a população se sustentar e reerguer a economia do país.