Na tarde de ontem, foram realizadas manifestações estudantis em +40 cidades na França, que atraíram cerca de 256 mil pessoas. Por lá, a situação tem se agravado, com +6 mil manifestantes tendo sido presos desde o último mês.
Os protestos criticam um sistema educacional que estaria superlotado, mal equipado e com falta de pessoal. Entre as reivindicações estão mais vagas no ensino superior e reajustes salariais.
Por trás das reivindicações e dos pneus queimados, existe uma forte crise no país. O governo tenta aprovar um ajuste fiscal de cerca de € 43 bilhões para tentar conter problemas econômicos.
O pacote de corte de gastos prevê o congelamento parcial de salários do funcionalismo público e cortes diretos em auxílios sociais.
O déficit anual do Orçamento chegou a 5,1% do PIB e a dívida pública alcançou 119% do PIB. Esses números ultrapassam há anos os parâmetros da União Europeia.
Em meio ao caos, os investidores estão mais exigentes. Eles pedem um rendimento de quase 5% ao ano nos títulos públicos de 10 anos do governo francês — nível mais alto desde 2002. Geralmente, quanto maior esse número, maior a desconfiança no governo atual.