“Oi, sumido”: Num anúncio que teria soado impossível há alguns anos, Cuba decidiu abrir as portas para empresas privadas, investidores e até bancos particulares quando o assunto é energia.
O que vai mudar? Até agora, empresas estrangeiras que atuavam na exploração de petróleo cubano precisavam, obrigatoriamente, formar parcerias com o Estado para dividir a produção.
Agora, o governo passa a permitir concessões petrolíferas — que nada mais são que contratos que dão a uma empresa o direito de explorar determinada área por um período definido.
A reforma também abre espaço para a participação de empresas privadas cubanas em diferentes atividades do setor. Sim, elas existem.
O timing ajuda a explicar
Cuba enfrenta uma de suas piores crises econômicas e energéticas da história, convivendo com falta de alimentos, apagões, inflação nas alturas e queda no turismo.
Outro fator que acelerou a mudança foi a pressão dos EUA, já que Donald Trump endureceu as sanções contra a ilha e deixou claro que o país está no radar para uma possível intervenção americana.
Uma nova era: A medida sobre o petróleo não é um movimento isolado. Em junho, um pacote com 176 reformas foi aprovado para atrair investimentos e dar mais espaço ao setor privado.
Hoje, mais de 15 mil pequenas e médias empresas operam no país e empregam cerca de 1/3 dos trabalhadores cubanos.
Então mudou tudo de vez? Mesmo com essa abertura, o governo insiste que nunca vai abandonar o socialismo.
Para o presidente Miguel Díaz-Canel, a estratégia é parecida com a adotada pela China e pelo Vietnã — manter o controle político centralizado enquanto dá mais espaço para a economia de mercado.