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Ela está tirando pessoas da cadeira de rodas
Por Administrador
Publicado em 08/03/2026 17:15
Geral

Se você abriu as redes sociais nas últimas semanas, o algoritmo provavelmente te apresentou um termo novo: Polilaminina.

O assunto viralizou após relatos de recuperação motora nos testes clínicos de pessoas que haviam perdido o movimento.

A responsável por isso foi a Dra. Tatiana Sampaio, que, depois de 30 anos de pesquisa, descobriu como reorganizar uma proteína que já temos no corpo para que ela funcione como um "andaime" biológico.

Nesse Dia das Mulheres, entrevistamos a Tatiana Sampaio, responsável pela descoberta que está desafiando o que a medicina entendia como ‘’irreversível’’.

Selecionamos os momentos mais marcantes da nossa conversa com a pesquisadora de elite em neurobiologia e professora titular da UFRJ:

Para começar, você se lembra do dia em que viu, pela primeira vez, um paciente paraplégico dar um passo? O que passou na sua cabeça?

Tati: Lembro da primeira vez que vi um paciente se mexer, e essa emoção é algo que continuamos vivenciando. Normalmente, uma semana depois, eles começam a mexer o braço, a perna... Esse momento sempre se renova. É quando vemos algo acontecendo. Não sabemos até onde vai, mas significa que algo está mudando, então é muita emoção.

O momento mais impactante foi com o Bruno, o primeiro paciente que se recuperou completamente. Recebi um vídeo dele mexendo o dedo do pé pelo celular e foi mágico. Depois, recebi a foto do recibo de devolução da cadeira de rodas que o pai dele me mandou. Foi impactante.

(Imagem: Agência o Globo)

Em que momento você percebeu que não era mais tentativa, mas sim descoberta? Teve um "clique"?

Tati: Acho que são várias camadas. Quando vi que funcionava em animais, o entendimento veio aos poucos, a confirmação é lenta. Não sei se existe um momento único de certeza. Até hoje eu me pergunto se não é sorte... Essa virada de "certeza absoluta" eu ainda não tenho, é uma construção. Mas quando juntamos o que vemos na célula, no animal e no humano, o caminho se torna sólido e ganhamos a segurança de que vai dar certo.

A Polilaminina será o "Ozempic" da regeneração?

Tati: É um sonho. Se tudo correr como está indo, vai ser maravilhoso. Se os hospitais tiverem a polilaminina disponível, isso vai despertar a percepção de que é fundamental operar as pessoas o mais rápido possível. Hoje, hospitais ainda adiam cirurgias por agenda, o que prejudica o paciente, já que o dano da lesão medular é progressivo. No futuro, imagino as cirurgias sendo feitas o quanto antes, com o uso da proteína e as pessoas recuperando movimentos. A lesão medular deixará de ser uma condenação.

O que fez você continuar quando ninguém garantia que daria certo?

Tati: Essa obstinação é bem típica da ciência. A gente faz e refaz. Até hoje sinto um frio na espinha esperando o resultado de um experimento e fico muito feliz quando dá certo, seja com animais ou células. Realmente não tem garantia, porque o que a gente faz é seguir um sentimento de que vale a pena continuar tentando.

Quem foi sua grande inspiração? Teve alguma história pessoal que acendeu essa chama?

Tati: Comecei a trabalhar com a polilaminina por acaso, e não por uma perda pessoal. Mas tenho uma aluna, a Carla, que é uma inspiração. Ela sofreu um acidente de carro grave quando novinha, fraturou a coluna e ficou dias imobilizada sem saber se teria sequelas. Quando viu que saiu sem danos, decidiu que trabalharia com lesão medular para ajudar quem não tivesse a mesma sorte.

Se você pudesse falar hoje para uma menina brasileira que gosta de ciência, mas acha que é impossível chegar longe... O que diria?

Tati: A mensagem é que vale a pena. O trabalho de pesquisa envolve muita frustração, é fato, mas por outro lado é dinâmico e nos dá muita liberdade e emoção. Meninas são muito bem-vindas na ciência e têm muito a contribuir.

fonte: the news

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