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Se você abriu as redes sociais nas últimas semanas, o algoritmo provavelmente te apresentou um termo novo: Polilaminina.
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O assunto viralizou após relatos de recuperação motora nos testes clínicos de pessoas que haviam perdido o movimento.
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A responsável por isso foi a Dra. Tatiana Sampaio, que, depois de 30 anos de pesquisa, descobriu como reorganizar uma proteína que já temos no corpo para que ela funcione como um "andaime" biológico.
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Nesse Dia das Mulheres, entrevistamos a Tatiana Sampaio, responsável pela descoberta que está desafiando o que a medicina entendia como ‘’irreversível’’.
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Selecionamos os momentos mais marcantes da nossa conversa com a pesquisadora de elite em neurobiologia e professora titular da UFRJ:
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Para começar, você se lembra do dia em que viu, pela primeira vez, um paciente paraplégico dar um passo? O que passou na sua cabeça?
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Tati: Lembro da primeira vez que vi um paciente se mexer, e essa emoção é algo que continuamos vivenciando. Normalmente, uma semana depois, eles começam a mexer o braço, a perna... Esse momento sempre se renova. É quando vemos algo acontecendo. Não sabemos até onde vai, mas significa que algo está mudando, então é muita emoção.
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O momento mais impactante foi com o Bruno, o primeiro paciente que se recuperou completamente. Recebi um vídeo dele mexendo o dedo do pé pelo celular e foi mágico. Depois, recebi a foto do recibo de devolução da cadeira de rodas que o pai dele me mandou. Foi impactante.
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(Imagem: Agência o Globo)
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Em que momento você percebeu que não era mais tentativa, mas sim descoberta? Teve um "clique"?
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Tati: Acho que são várias camadas. Quando vi que funcionava em animais, o entendimento veio aos poucos, a confirmação é lenta. Não sei se existe um momento único de certeza. Até hoje eu me pergunto se não é sorte... Essa virada de "certeza absoluta" eu ainda não tenho, é uma construção. Mas quando juntamos o que vemos na célula, no animal e no humano, o caminho se torna sólido e ganhamos a segurança de que vai dar certo.
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A Polilaminina será o "Ozempic" da regeneração?
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Tati: É um sonho. Se tudo correr como está indo, vai ser maravilhoso. Se os hospitais tiverem a polilaminina disponível, isso vai despertar a percepção de que é fundamental operar as pessoas o mais rápido possível. Hoje, hospitais ainda adiam cirurgias por agenda, o que prejudica o paciente, já que o dano da lesão medular é progressivo. No futuro, imagino as cirurgias sendo feitas o quanto antes, com o uso da proteína e as pessoas recuperando movimentos. A lesão medular deixará de ser uma condenação.
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O que fez você continuar quando ninguém garantia que daria certo?
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Tati: Essa obstinação é bem típica da ciência. A gente faz e refaz. Até hoje sinto um frio na espinha esperando o resultado de um experimento e fico muito feliz quando dá certo, seja com animais ou células. Realmente não tem garantia, porque o que a gente faz é seguir um sentimento de que vale a pena continuar tentando.
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Quem foi sua grande inspiração? Teve alguma história pessoal que acendeu essa chama?
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Tati: Comecei a trabalhar com a polilaminina por acaso, e não por uma perda pessoal. Mas tenho uma aluna, a Carla, que é uma inspiração. Ela sofreu um acidente de carro grave quando novinha, fraturou a coluna e ficou dias imobilizada sem saber se teria sequelas. Quando viu que saiu sem danos, decidiu que trabalharia com lesão medular para ajudar quem não tivesse a mesma sorte.
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Se você pudesse falar hoje para uma menina brasileira que gosta de ciência, mas acha que é impossível chegar longe... O que diria?
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Tati: A mensagem é que vale a pena. O trabalho de pesquisa envolve muita frustração, é fato, mas por outro lado é dinâmico e nos dá muita liberdade e emoção. Meninas são muito bem-vindas na ciência e têm muito a contribuir.
fonte: the news
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