O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, viu dois de seus ministros renunciarem nesta semana. As saídas vêm após semanas de protestos e bloqueios de estradas que paralisaram as principais atividades do país andino.
Com mais de 90 pontos de bloqueio nas rodovias, o fornecimento de alimentos, remédios e combustíveis entrou em colapso em cidades como La Paz e El Alto. O comércio local foi fortemente afetado, e os preços de produtos básicos, como ovos e carne, dobraram em poucos dias.
O governo brasileiro, inclusive, enviou mais de 20 toneladas de alimentos ao país em uma ação de cooperação humanitária.
O impasse atual mistura problemas econômicos com uma forte disputa política de bastidores:
Eleito no fim do ano passado com uma plataforma de centro-direita e abertura de mercado, Rodrigo Paz interrompeu duas décadas de hegemonia da esquerda na Bolívia, enfrentando forte resistência de bases sindicais desde que assumiu.
O governo atual acusa o ex-presidente Evo Morales de coordenar os bloqueios mais duros por meio de sindicatos aliados. Hoje, Evo está abrigado na região de Chapare para evitar o cumprimento de um mandado de prisão.