O ministro Alexandre de Moraes ordenou um mandado de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, que trabalhava na Segurança Pública do Maranhão. Ele é apontado como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens sobre Flávio Dino.
A história, que ganhou repercussão nacional, gerou questionamentos sobre liberdade de imprensa e até já virou gancho para candidato nas eleições. Mas vamos por partes, que a gente te explica.
Em nov/25, Luís Pablo publicou uma matéria dizendo que um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão era usado por Dino e familiares fora do expediente oficial.
Sob suspeita de possível monitoramento ilegal, Moraes determinou uma busca contra o jornalista, autorizando a quebra de sigilo telefônico do jornalista. Então começou toda a polêmica…
A perícia apontou Raimundo Cutrim como a origem da informação. A defesa já antecipou que, isso por si só, vai contra a proteção ao sigilo da fonte, previsto no artigo 5º da Constituição.
Mas a história ainda foi além: Moraes determinou busca contra o próprio Raimundo Cutrim, ou seja, contra a própria fonte do jornalista. Isso fez o caso ganhar uma proporção ainda maior.
O jornalista Luís Pablo fez um vídeo repudiando o fato. Ele afirmou que, a partir de agora, não vai conseguir garantir às suas fontes que preservará a confiança que construiu ao longo de anos de profissão.
Indo além, o caso abre um precedente não só para ele, mas para toda a classe de jornalistas e veículos de informação.
Do outro lado, o relatório da PF citado por Moraes aponta que, nas conversas encontradas, há o registro de um pagamento de R$ 100 mil ao jornalista, “colocando sob suspeita o aspecto meramente informativo e a legitimidade do uso de um veículo supostamente de caráter jornalístico”.
Para o gabinete de Dino, a apuração é necessária porque as reportagens teriam vazado dados sensíveis de segurança do ministro e sua família, alvo recorrente de ameaças.
Entidades jornalísticas classificaram a medida como preocupante para a liberdade de imprensa. Um levantamento identificou 130 novos processos judiciais movidos contra jornalistas no Brasil entre 2024 e 2025.