E o problema maior não é nem o tamanho das dívidas, mas o quanto custa pagá-las — já que os juros por aqui continuam altos, fazendo do Brasil o país com o maior juro real do mundo.
Por que isso importa: Quando famílias, empresas e governo estão endividados juntos, o aperto acaba virando uma bola de neve, fazendo a economia do país perder velocidade.
Vamos aos números :
A dívida bruta do governo foi a 81,93% do PIB — mais que o dobro de dez anos atrás;
82% das famílias brasileiras estão endividadas, o recorde da série histórica iniciada em 2010;
Mais de 73 milhões de brasileiros — 40% da população adulta — estão com o nome sujo;
9 milhões de CNPJs estão inadimplentes, a maioria de micro e pequenas empresas, somando R$ 232 bi em dívidas atrasadas;
As empresas listadas na Bolsa dobraram a dívida líquida em seis anos — de R$ 719 bilhões para R$ 1,3 trilhão.
Como explicar tudo isso? Desta vez, o vilão não é o desemprego nem a falta de renda. Na verdade, o Brasil está com a sua menor taxa de desemprego da história e com os trabalhadores ganhando mais.
O que está pegando mesmo é o custo do crédito, que tem disparado desde que a Selic passou de 10% ao ano em 2022.
Ao mesmo tempo, houve uma explosão da oferta de empréstimos, puxada pelas fintechs — que cresceram quase 330 vezes desde 2016.
Um efeito cascata: Pense que menos dinheiro sobrando significa menos consumo, e menos consumo significa empresas vendendo menos e tendo mais dificuldade para pagarasdívidas.
Como consequência, bancos e consultorias já reduziram as projeções de crescimento do PIB para o ano que vem. Embora uma recessão não esteja no radar, o cenário é de desaceleração — puxada justamente pelo peso das dívidas.